09 março 2017

PASMA O REI E PASMA O POVO


A un Caballero que, estando
com una dama, no pudo cumplir
sus deseos

Com Marfisa en la estacada
entraste tan desguarnido
que su escudo, aunque hendido,
no pudo rajar tu espada.
!Qué mucho, si levantada
no se vio en trance tan crudo,
ni vuestra vergüenza pudo
cuatro lágrimas llorar,
siquiera para dejar
de orín tomado el escudo!
D. Luís de Góngora


Desedifica-me, para não dizer mais e pior, ver um roto encartado a zombar de um cavalheiro esforçado, suposto que menos feliz em trabalhos de amor baldados – sim, love’s labour’s lost, para o dizer com o bardo. Ora, reza a crónica bilhardeira daqueles tempos que D. Luís nem com três quilos de viagra no bucho faria melhor que o cavalheiro da décima, e no entanto zomba. Exemplo nada exemplar!
Serve o poema para introduzir um livrinho simpático, pequeno, com menos de 200 páginas, capa de fundo azul muito escuro, encimada pelo nome do seu autor, seguido, logo abaixo, do título: Crónica do Rei Pasmado. E a figura de uma mulher nova despida, deitada em uma cama pousada num chão de quadrados brancos e cor-de-rosa, com um anjinho deitado sobre uma nuvem à cabeceira, e a cauda do mafarrico aos pés do leito.
O seu autor, Gonzalo Torrente Ballester (1910-1999), foi professor, romancista, crítico literário e teatral, dramaturgo e jornalista espanhol, autor dos romances, entre muitos, La Princesa Durmiente va a la escuela, La muerte del decano, Crónica del Rey pasmado, de peças de teatro como El retorno de Ulises e Republica barataria, de ensaios como El Quijote como juego. Vencedor do Prémio Príncipe das Astúrias de Letras, do Prémio Nacional da Narrativa e do Prémio Cervantes, foi um dos mais importantes escritores espanhóis do século XX.
Passa-se o conto em Espanha, na Madrid do Siglo de Oro, por volta do ano de 1624, em Outubro, reinava então Filipe IV (III de Portugal), que representaria os seus 20 anos. Estranhos sucessos ocorrem, visões de bruxas e dragões sulfurosos, pressente-se algo anormal no ar. El-rei passou a noite com Marfisa, bela cortesã daquele século; acompanha-o o conde da Peña Andrada, corsário galego, recentemente chegado à corte, mas que ninguém conhece muito bem e que mais tarde se descobre ser o mafarrico em pessoa. El-rei, moço inexperiente e recém-casado, com pouco conhecimento do mundo e sem nunca ter enxergado ou surpreendido mulher nua, fica fascinado com a visão esplendorosa do corpo de Marfisa. Passou o resto do dia aluado e manifestou, na missa, o desejo de ver a rainha também nua.
Escândalo dos escândalos: nunca se vira tal na corte dos reis mui católicos. Padre Villaescusa, frade capuchinho, sujeito tenebroso que mistura o zelo beato com a ambição de ser o próximo Grande Inquisidor (sim, uma espécie de frei Anacleto Louçã dos nossos tempos), encabeça a reacção que vê no desejo do rei um grave pecado e um perigo para a estabilidade do Estado. Anuncia pois com grande espavento que os pecados dos reis, até os privados, recaem sobre os seus povos. El-rei, coitado, depois de ver Marfisa in naturalibus, ficou pasmado sem pensar noutra coisa durante… o resto do livro e, a fazer fé na História, até durante o resto da vida: 19 filhos entre legítimos e ilegítimos.
Reúnem-se conselhos de sábios reverendos dirigidos pelo Grande Inquisidor para determinar se é ou não lícito o desejo do rei, preocupa-se o valido, o conde-duque de Olivares com a alteração da ordem pública... A bem da verdade, além das preocupações públicas, o valido tinha a sua preocupação muito particular: posto que amantíssimo de sua esposa, não conseguia que o esforço frutificasse em descendência, o que assaz o desgostava, pois não queria deixar a fazenda a primos e parentes ou aderentes quando se fosse desta.
Marfisa, a bela odalisca, é perseguida pela Santa Inquisição, consegue fugir, avisada que foi a tempo pelo recado do Grande Inquisidor, homem cordato e nonchalant, com grande conhecimento do mundo, e que faz o menos possível em matéria da perseguição de hereges e afins. Refugia-se aquela beldade num convento de monjas, cuja superiora é da aquela do Grande Inquisidor. Complica-se o enredo, no conselho de sábios dividem-se as opiniões; o grupo que defende que os reis, como toda a gente, das suas portas adentro podem fazer o que quiserem em matéria de intimidades conjugais, é conduzido pelo padre Almeida, jesuíta português, em trânsito para Londres, onde se espera seja martirizado, e que (vem a saber-se ao diante) é um anjo, contraponto do mafarrico, conde de Peña Andrada.
A intriga adensa-se, as posições estremam-se, conspiram uns para proporcionar aos reis uma noite de amor sossegada, ou, senão sossegada, ao menos sem interferência de importunos e, no literal e metafórico, desmancha-prazeres; outros, com o padre Villaescusa à cabeça, querem a todo o custo impedir os reis de pecar…
Curiosamente, nesse mundo de fantasia, o anjo e o mafarrico concorrem no auxílio aos reis e seu gáudio!
É um livro amável, que trata de assuntos sérios de forma irónica, retrata um mundo em que anjos e demónios falam cordialmente e colaboram entre si para coadjuvar amantes contrariados; um livro que apela para a bondade e tolerância, e condena o zelo e o fanatismo. E, se de alguma coisa se dá pela falta hoje neste Portugal e PREC morno em que vivemos – com o politicamente correcto a grassar cada vez mais grosso e grosseiro neste mundo da bempensância modernaça, mais informatizado do que informado, e em versão cada vez menos soft das velhas e relhas censuras puras e duras – é de bondade e tolerância, e de um pouco de honestidade.
Mas desde muito que os empregos andam escassos, e a legião de controleiros de serviço carece de serventia para mais.

      Ficai-vos embora, e sem passar a vida a ressentir e cultivar a última palavra dos Lusíadas.  

26 fevereiro 2017

Há comunicação social em Portugal?

Jornalistas foram impedidos, em Portugal, de realizar o seu trabalho. Uma, num julgamento que tem como arguido o presidente de um clube de futebol, e outra ao questionar o primeiro-ministro. No primeiro caso, cidadãos alegadamente ligados a uma claque do clube, apropriaram-se indevidamente do equipamento profissional; no outro, um segurança do primeiro-ministro encarregou-se de impedir a aproximação para que que fossem feitas perguntas às quais este só responderia se quisesse.

Depois do que aconteceu e muita gente viu, incluindo os profissionais do mesmo ramo, a pergunta impõe-se: há comunicação social em Portugal?

Será caso para reflexão mais profunda, mas, encurtando e perante os factos, se houvesse, certamente teria mostrado as imagens que filmou, as fotografias que tirou e escrito sobre o que viu.

Como desconheço que o tenha feito, nem sequer sei o que isso é.

E ela (que acha que existe) percebeu muito bem que a intimidação individual, sempre mais fácil de realizar, era dirigida a ela no todo e, em vez de reagir, acatou o recado e omertà, quer sobre um grupo de cidadãos que se movimentam num Estado dentro do Estado, quer perante a atitude de um segurança do primeiro-ministro (ou a sobranceria deste, quando passou por ela – que acha que existe -. Lembram-se do tempo de um outro primeiro-ministro?!).

Perante a intimidação, aquela que acha que existe, é culpada na permissão e inacção e, a talhe de foice, deveria meditar sobre a entrevista realizada ao director de informação de um canal televisivo, naquilo que é realmente importante: independência e informação.

É que ser corajoso com os inofensivos, como a Igreja Católica, por exemplo, que ouve e perdoa, ou a novel grande causa comum (ideólogos amigos assim o suscitam), Trump (que não lhe liga), pode parecer informação, mas nada mais é do que simulacro, perante o absoluto silêncio sobre os demais pares dos exemplos, sobretudo quando são um perigo, tal e qual como a civilização europeia/democrática o configura.

Há anos que, pessoalmente, a deixei de ver, ouvir e ler (a portuguesa - obviamente abrindo excepções, quase sempre por razões profissionais) sob prisma sério. Busco, maioritariamente, em espaços alternativos de informação - como a blogosfera -, a essência e limpidez dos factos, das acções e das intenções, aí ajuizando, no cruzamento, criticamente. Do que vou conversando com vários amigos, que me vão dando conta do que nela se passa, parece-me que tenho perdido pouco ou nada, pelo que estarei na senda sensatamente correcta.

Reitero, aquilo que fizeram aos jornalistas (porque estes existem!), se fosse no estrangeiro, teria, imediatamente, motivado reacção global e concertada de repúdio e, na manutenção da inércia, quer do Estado quer do clube, acção comum de denúncia, boicote ou o que por bem achasse pertinente, mas jamais silêncio, cúmplice, pensarão muitos.


Na conclusão, é claro que serei o primeiro a redimir-me, quando ela me provar o erro. Até lá, “messieurs, honni soit qui mal y pense! Ceux qui rient en ce moment seront un jour très honorés […]”…  



Aditamento: porque pouco relevante, não teria de o publicitar, mas, portugueses, leio o jornal online Observador e os blogues Corta-Fitas, Blasfémias e Geração Benfica, diariamente, entre muitos outros, ainda que estes mais esporadicamente.

23 fevereiro 2017

QUINTAS-FEIRAS AZIAGAS


Comentando o que por aí reza a crónica desta admirável e nova idade mídia sobre as últimas façanhas literárias do Sr. Presidente, desabafava minha avó Georgina que em tempos mandava a cartilha cavalheiresca que não se batesse em quem estava caído; e por isso não lhe caía bem ver um homem atacar outro quando este se vê a contas com as justiças, e até já foi posto em sossego preventivo, de onde só saiu por exaustão do respectivo prazo. Faria o presidencial memorialista o mesmo se o visado ainda fosse primeiro-ministro? Eis a questão. Guardasse-se para mais tarde, quando o pó do tempo assentasse, e tudo estivesse esclarecido. O que só prova que a boa senhora nunca foi política nem simpatizante da dita. 
       E realmente as memórias de Cavaco dificilmente deixarão de parecer um ajuste de contas com Sócrates, e também uma justificação da sua incapacidade de intervir e travar a loucura chuchalista que levou à bancarrota, e possivelmente levará à catástrofe, sempre mais ou menos iminente no destino do Lusíada, coitado, desde o título de Eça, e até de antes. Afinal de contas, sempre mal feitas neste país de poetas líricos, a Cavaco, mais que a ninguém (por alguma coisa será professor de Economia), corria-lhe a obrigação de saber e antever os resultados da política socrática. Se a civilização se cifra em prever e prover (Bertrand Russel dixit), por estas bandas e plagas continuamos alegremente selvagens.
Pesar-lhe-á na consciência a sua tibieza, e tentará agora justificar-se. Sem convencer, porém. Tê-lo-á movido o mero cálculo e estrito interesse pessoal (a reeleição) e o medo (da reacção socialista). No lugar desta Excelência, um magistrado mais inteiro teria procedido de outro e eficaz modo. Mas ninguém pode saltar fora da sua sombra.
       Resumindo, Quintas-Feiras por Quintas-Feiras, antes no Homem Que Era Quinta-Feira. Fiquemo-nos com esta e com este.  


02 fevereiro 2017

(futebol) Perspectivas



Portugal 2 de Fevereiro de 2017

Há meses que não sinto “pica” para escrever, sendo dominado por um sentimento muito simples: o Benfica é dos sócios e dos adeptos, não é meu, nem o que eu penso é mais importante do que o que os outros pensam.
Ao longo dos últimos meses assisti à re-eleição, melhor, ao plebiscito que reconduziu Vieira a Presidente, no que considero ser um processo agónico resultante da falta de vitalidade associativa ou resultante do impacto da verdade da mentira em que se tornou a gestão do Benfica e da sua poderosa marca desportiva e comercial. Mas como o Benfica não é meu, apenas tenho de aceitar. O Benfica é o que é, é muito pouco afinal mas é o Benfica. Na vida não nos podemos iludir com o valor de pessoas ou instituições, porque um dia desiludem-nos.
Não entendo o quase unanimismo em torno de alguém que faz obra mas não a paga, que contrata e dispensa jogadores como vulgar mercadoria com dispendiosos encargos de intermediação, que contrata um motorista pessoal que depois é apanhado com 9 kg de cocaína que revendia, algumas vezes, no interior das instalações do estádio da Luz, que gostava tanto desse motorista que o promoveu a director para poder auferir um salário maior, alguém a quem o FCP em comunicado lembrou que “Coca-Cola não se escreve com 4 letras apenas”, que raramente assiste a um jogo das modalidades, mesmo em fases finais, que não consegue explicar quando se dará o “break event point” do projecto empresarial do Benfica aprovado em Assembleia Geral por larga maioria em 21 de Fevereiro de 2000, e muito menos explica como é que vendendo tantos jogadores e por tantas dezenas de milhões, hoje temos uma divida financeira superior à que tínhamos à 4 anos, enfim, alguém que vai navegando entre sucessos ou fracassos desportivos como uma enguia difícil de agarrar, entenda-se, difícil de responsabilizar. Mas como disse antes, não entendo, nem tenho de entender. O Benfica é isto, o Benfica não é meu.
Estarei a ver mal qualquer coisa ou esta minha forma de ver estará associada à minha natureza “desprezível”, o que é certo é que mais de 95% dos votantes expressaram o seu apoio à reeleição do Sr.º Vieira. O que significa que acham que 1) está tudo bem, ou 2) não há melhor. Muito mau em qualquer dos casos.
Posto isto que se pode dizer das últimas incidências futebolísticas, em particular, de alguns maus resultados onde existiram tantos erros grosseiros de arbitragem como nas duas últimas épocas juntas?
Pois nada também. Como nada ou nenhuma é a reacção oficial da Direcção do Benfica, o que aliás é o padrão dominante da gestão do Sr.º Vieira. Em 15 anos contam-se pelos dedos de uma mão (e sobram dedos) as vezes que a Benfica SAD se expressou formalmente contra os “abusos” das arbitragens.
Portanto se a Direcção nada reclama e se o Sr.º Vieira foi reeleito/ plebiscitado com mais de 95% de votos, que importa o que pensa de tudo isto, o comum do adepto/ sócio do Benfica que não entende o unanimismo em torno de Vieira? Nada... Cruzar os braços e assistir à destruição da equipa que até há bem pouco tempo batia recordes sobre recordes é a forma mais adequada de levar as coisas. E sempre evita algumas insónias.
Entretanto os moços de recados, entenda-se, a máquina da propaganda de Vieira, através do disponível CM (seguir-se-ão outros na órbita de Joaquim Oliveira e influências de Jorge Mendes) já fizeram circular que Vieira acompanha a crise do futebol, embora à distância. À distância, em Inglaterra, não se sabe a fazer o quê. Mas está a acompanhar (dizem). Também estava em Moçambique com seu amigo Salvador no dia em que o Benfica perdeu com o Braga na meia-final da Taça da Liga, e também estava no casamento do amigo Mendes no dia em que o Benfica jogou a Eusébio Cup no México, em Monterrey, onde perdemos 3-0. Mas que interessa? Ele está sempre a acompanhar a equipa, dizem os moços de recados.
O que é certo é que este tipo de tretas “cola” nos benfiquistas, sendo disso um sinal evidente, o unanimismo em torno dos méritos de Vieira e a falta de alternativas. O que também permite concluir que quem poderia ser alternativa concorda com este rumo, com esta estratégia, com esta personagem.
O Benfica é isto. Felizmente não é meu. Siga a marinha...

31 outubro 2016

(futebol) Os recordes de Vitória(s)



Portugal 31 de Outubro de 2016

A vitória em Belém mereceu rasgados elogios da crítica desportiva em função da queda de um recorde bem antigo que pertencia a Jimmy Hagan, e que se traduzia por 15 vitórias fora de casa e que agora passou para 16. Se considerarmos que nessa série de vitórias fora se inclui um, dos dois rivais históricos, SCP, não se pode menosprezar a importância deste recorde.
A vitória sobre o Paços de Ferreira veio dar mais um recorde, o recorde de pontos à 9ª jornada, 25, desde que a vitória passou a valer 3 pontos.
Qualquer recorde é algo sempre positivo. Pela confiança que traz à equipa técnica, aos jogadores e em particular aos sócios e adeptos. A grandeza da equipa depende muito dos resultados e do apoio dos adeptos, sendo que uns podem motivar os outros, e vice-versa. Sem resultados é difícil ter o apoio dos adeptos. Mas sem o apoio dos adeptos é mais difícil ter resultados. Há uma química própria do futebol que não tendo leis científicas a defini-la, no entanto funciona de modo quase inexplicável. E claro, outro condimento necessário a esta “reacção química” é a comunicação social, a tal que pode transformar um mau resultado, num resultado afinal não tão mau como isso.
Sem dúvida que o grande mérito destes recordes pertencem ao treinador e equipa técnica, porque são eles quem define o modelo de jogo, quem decide através da táctica como se deve anular o jogo do adversário, quem faz a gestão do jogo com o instante em que se fazem as substituições dos jogadores mais cansados ou em menor rendimento. Para além da liderança, neste caso mérito do treinador, que é fundamental para os jogadores reconhecerem com naturalidade essa superioridade do treinador e assim poderem colocar em campo, de forma mais eficaz, toda a sua valia técnica, individual e colectiva.
O objectivo deste texto é por um lado reconhecer em Rui Vitória o grande artífice da conquista do anterior campeonato e também como grande responsável do actual momento da equipa, apenas beliscado pelo empate caseiro frente ao Setúbal. Embora tenha discordado da forma como chegou ao Benfica (ninguém no seu perfeito juízo troca um treinador bicampeão por um treinador sem provas dadas) deve dar-se mérito a quem o merece, e ele tem feito tudo para o merecer, embora também ajudado por factores imprevisíveis como foi o aparecimento de Renato Sanches (vitamina R como aqui escrevi, hoje “golden boy”) após lesão e castigos de vários jogadores importantes na manobra da equipa (e se não tivesse havido essas lesões e castigos?), ou a própria comunicação deficiente do SCP e do mesmo treinador que continua sem perceber o poder construtivo ou destrutivo da mensagem. E ele capricha no aspecto destrutivo da mensagem.
Mas também quero registar, com alguma surpresa, que ainda não vi a “estrutura” reclamar méritos no actual momento do futebol, fosse pelos assessores, avençados dos programas dos trios, dirigentes da SAD ou do próprio “faz-que-é” presidente. É um pouco estranho para quem sempre reclamou a quota-parte do sucesso dos títulos de Jesus.
Enfim, com o tempo poderemos perceber melhor esta nova atitude da “estrutura” e perceber se esta “humildade” na acção é ou não sincera e genuína.
Como rodapé, o fim-de-semana aprovou que o FCP e o SCP podem perder pontos com equipas a quem tínhamos ganho (Nacional) ou com quem tínhamos perdido pontos também (Setúbal). Assim o desempenho da nossa equipa em comparação directa com os rivais, aumentou. E isso é um parâmetro positivo nas contas finais do título.

30 setembro 2016

(futebol) Correctivo...



Portugal 30 de Setembro de 2016

Não me esqueci da parte 2 do último texto intitulado “Rafa”didos. Infelizmente por razões pessoais, profissionais, férias, trabalho a dobrar e como tal muito pouca disponibilidade de tempo e muito pouca motivação, não consegui ainda concluir o raciocínio inserido nesse assunto.
Para escrever é preciso motivação. E confesso que a minha resiliência à máquina da mentira que se instalou no Benfica, tem diminuído. A luta é desigual, porque os meios são desiguais. Por outro lado não serei eu que vou mudar o “mundo” e muito menos o Benfica. O Benfica é dos sócios e adeptos, e se estes continuam a achar bem os relatórios de contas que acumulam no passivo as dívidas reais, mascarando com subidas das garantias de pagamento que são os activos, sabendo que no limite, para pagar as dívidas reais do passivo bancário, o Benfica teria de vender os activos do tipo, jogadores ou estádio e assim deixar de jogar futebol que é a principal razão de existir do clube, enfim, não serei eu a barrar o caminho com as minhas opiniões.
Bom, mas a Champions deu-me a “pica” suficiente para que eu arranjasse um “tempinho” e escrevesse sobre a primeira derrota da época em jogos oficiais.
Levamos um forte “correctivo” futebolístico quando o resultado chegou aos 4-0. Um correctivo que por vezes é importante para abanar a letargia em que vamos sentindo e respirando o Benfica, um correctivo que devia fazer pensar como se preparam e planeiam as épocas desportivas do Benfica. Para variar isso não será feito.
E não será feito porque a comunicação social afecta a este “sistema” que manda no futebol, com a inegável colaboração do grupo e meios do Sr.º Joaquim Oliveira e parceiros, este “sistema” que promove o Sr.º Vieira como um dos deles, logo inatacável, este “sistema” já encontrou a explicação: os erros do Júlio César e as bolas paradas.
Não surpreende. Com Roberto era igual, só que era todas as semanas.
Culpar um jogador é truque velho, culpar o guarda-redes é sempre o mais fácil. Contudo o mais difícil é explicar porque se concedem cantos, porque se concedem faltas que permitem que a bola vá para cima da baliza, porque se permite que os adversários entrem na área sem marcação, etc. Porque no fundo teríamos de analisar o modelo táctico de jogo e os jogadores escolhidos para o realizarem. Isso é mais difícil e pode por em causa a Direcção, ou melhor, o Sr.º Vieira, que compra e vende jogadores como se de matraquilhos se tratasse, contando com a prestimosa ajuda da comunicação social para passar a ideia que “o Benfica tem de vender todos os anos” e os “reforços contratados dão todas as garantias”. Falsidades umas atrás das outras.
É certo que Júlio César pode ter estado mal na conclusão das jogadas que deram no 3º e 4º golo, mas a equipa foi colectivamente responsável pelo 1º e 2º golo que alteraram os parâmetros mentais (confiança, serenidade, etc.) dos jogadores e parâmetros tácticos da equipa, como também foi a equipa a responsável pela descoordenação que permitiu erros que resultaram no penalty para o 3º golo ou o cruzamento para o 4º golo.
Pessoalmente, concordo com o modelo táctico inicial, 4-2-3-1, por ser um modelo que permite uma certa compacidade e reactividade à equipa, mas também por ter sido o modelo mais usado por de Mourinho no Real Madrid.
Mas critico os jogadores escolhidos, em particular a “troika” do meio campo, Pizzi, André Horta e Carrillo. Pizzi foi suplente na vitória no ano passado em casa do Atlético, enquanto nessa altura Gonçalo Guedes e Sálvio foram titulares mas ontem foram suplentes, porque – com grande certeza - têm de deixar jogar os novos “reforços”, as “negociatas” de Vieira para que fique claro que são mesmo “reforços” e não as negociatas que sabemos que são. O resultado desta opção foi a “permeabilidade” sistemática nessa zona nevrálgica do campo, porque se trata de jogadores de qualidade mediana, uns sem físico, outros sem motivação, enfim, são contratações para agradar a empresários amigos e quiçá receber algum através dos off-shores...
Não podemos contudo desvalorizar o valor do Nápoles que tem um plantel superior em qualidade ao nosso. Nós apenas lhe ganhamos na “alma” que é imensa mas não marca golos! No resto temos de nos reduzir ao nosso lugarzinho, graças à gestão de Vieira, esse mesmo que em 2003 vaticinou: “daqui a 2 anos vamos dar cartas por essa Europa fora”. Alguém reparou que havia eleições a seguir onde ele foi eleito pela primeira vez? Pois a demagogia, mentira e omissão, tem sido a imagem de marca dele, desde esse ano até agora... Por isso nada nos pode surpreender no futebol da nossa equipa...

23 agosto 2016

(futebol) "Rafa"didos... parte I



Portugal 23 de Agosto de 2016

Retirado de vários órgãos de comunicação social:
"Apesar das muitas notícias publicadas nos últimos dias, seguramente alimentadas por alguém que tem interesse no processo, o Sport Lisboa e Benfica não está, nem esteve, a negociar Rafa com ninguém. Não há nenhum processo a fechar antes do Europeu, nem depois do Europeu. Respeitamos o jogador, a sua qualidade e o seu talento, mas não cabe nos planos do Clube para a próxima época", informaram as águias. Comunicado do Benfica Maio de 2016
O Paris Saint-Germain quis saber as condições do SC Braga para poder contratar o internacional português Rafa após o campeonato da Europa em França.
Ainda de acordo com o referido diário desportivo (O JOGO), a recente contratação de Ricardo Horta por parte do SC Braga foi já tendo em vista a possível saída de Rafa após o final do Euro2016”. Por SAPO Desporto, 06-07-2016 09:03
O processo arrasta-se, já se disse que a transferência pode ficar fechada nas próximas horas para o FC Porto, mas no SC Braga joga-se à defesa e ninguém valida tal teoria”. JN 09:33 - 26-07-2016

Rafa quer o FCPorto, o clube do seu coração

Rafa quer mesmo jogar no FCPorto e a vontade do jogar vai ser determinante na conclusão do negócio, sabe o SuperPortistas que o negócio vai-se concluir nos próximos dias, estando no momento em causa no momento a partilha do passe do jogador por vários intervenientes, actualmente a partilha de passes não é permitida pela Uefa e para o negócio se concluir o FCPorto terá que arranjar uma forma de dar a volta a esta situação dado que obviamente o FCPorto não ira despender de 20 Milhões por 100% do passe”.
A BOLA revela que o ataque dos azuis e brancos - o terceiro no espaço de um ano, depois de terem levado nega do SC Braga no verão passado e em janeiro - coincidiu com os rumores que indicavam a existência de uma reunião entre António Araújo, agente de Rafa, e Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica.
O interesse das águias em Rafa é real, mas altamente condicionado pela venda de dois extremos até 31 de Agosto: Salvio e Carrillo. JN 08:50 - 10-08-2016
Segundo foi possível apurar, o presidente dos encarnados reuniu-se ontem, no seu gabinete no centro de estágio do Seixal, com o empresário do jogador, natural de Vila Franca de Xira e formado no Alverca. Luís Filipe Vieira e António Araújo, acompanhado pelo seu filho, avaliaram a possibilidade de um acordo entre o Benfica e o jogador que dê corpo às conversas com o emblema bracarense”. JOGO 10 Agosto 2016 às 10:54
Como o mercado está não tenho quaisquer dúvidas que o Rafa vale os 20 milhões de euros. Há jogadores com qualidade muito inferior que, nos últimos tempos, têm sido transferidos por quantias muito superiores. Dadas as suas características creio que ainda pode vir a valorizar-se no futuro”. José Augusto (Benfica) no RECORD 11-08
Considero tratar-se de um exagero o dinheiro que o Sp. Braga está a pedir por ele. Se compararmos o rendimento do Rafa e do Pizzi, que custou ao Benfica 14 milhões de euros, na Supertaça, percebemos que o Rafa está a ser sobrevalorizado. É demasiado dinheiro”. Jorge Amaral (FCP) no RECORD 11-08
O presidente do Benfica está a avaliar as melhores opções para convencer António Salvador a abrir mão de Rafa.
Luís Filipe Vieira tudo fará para tentar contratar o atacante de 23 anos e António Salvador sabe que os encarnados têm capacidade para pagar €15 milhões, em prestações, por 90 por cento do passe, que está na posse da Gestifute (50 por cento), do SC Braga (30), do Feirense (10) e do empresário António Araújo (10)”. DN 08:48 - 12-08-2016
Jornal de Notícias garante que foi o FC Porto que desistiu da contratação de Rafa perante as exigências financeiras do clube minhoto”. JN 19-08-2016 08:53
O jornal A Bola garante que o negócio de Rafa vai concretizar-se por 15 milhões de euros e que vai envolver a cedência a título definitivo de Rui Fonte e o empréstimo de Carcela e Benítez”. SAPO Desporto 19-08-2016 07:01
O atacante português assinou com o emblema da Luz um contrato válido para as próximas cinco temporadas. Segundo apurou o JN, terá um salário anual bruto de 2,5 milhões de euros. A transferência de Rafa para a Luz implica também o empréstimo de dois jogadores encarnados aos bracarenses e a cedência definitiva de um outro.
O Benfica paga ainda uma verba de 1,5 milhões de euros a António Araújo, o empresário do jogador”. JN 19 Agosto 2016 às 12:21
Quatro anos depois, o Benfica volta a ficar à frente do rival, através de Rafa, desta feita até num duelo mais intenso e onde as duas formações esgrimiram argumentos poderosos, com vários milhões à mesa. Como Record adiantou esta sexta-feira, Pinto da Costa esperava o extremo para selar o acordo mas Luís Filipe Vieira adiantou-se e ganhou a jogada”. RECORD 19-08